Estava eu a retornar para casa de ônibus, eram 3 da manhã, após uma cansativa noite de trabalho no restaurante Santa Clara, tendo sido obrigada a suportar uma noite cheia de problemas e como se não bastassem os problemas ocasionados pelo excesso de clientes que chegaram sem reservar mesa, o que causa um desconforto considerável a todos, sobre a cidade um fino véu de água caia do céu, molhando insistentemente a tudo e a todos, entrando no ônibus notei 2 rapazes sentados um ao lado do outro nesses bancos que ficam acima dos pneus do ônibus ficando estes um pouco acima dos outros bancos.
Um dos rapazes muito branco tinha cabelos curtos, castanho claro, usava bermuda azul com a barra branca, um chinelo Olympikus cinza, uma regata branca com os dizeres “Pit Bull”, e tinha um tampão cirúrgico no olho esquerdo. O segundo rapaz, moreno jambo usava um tênis que não consegui ver a marca por estar longe, sei que era preto, isso, um tênis preto, uma calça jeans normal e uma camiseta vermelha, por sinal muito bonita, tinha o cabelo negro liso e meio bagunçado.
Percebi que eles se tratavam com uma “intimidade” acima do normal, principalmente o moreno para com o do tampão, parecia preocupado com a incidência de gotículas de água que batiam no olho coberto do outro. As gotículas vinham de uma janela a frente deles que estava aberta, sob a janela sentava uma velha senhora de cabelos grisalhos, e um vestido, um tanto quanto antiquado, um vestido com muitos detalhes e lantejoulas azuis, e um chapéu de crochê, ela usava muitas bijuterias e cheirava a naftalina.
Logo que se passaram alguns pontos de onde embarquei e os rapazes desceram, conversavam baixinho um com o outro, daí mais alguns pontos a velha senhora também desceu, ela descera. Muitas pessoas aguardavam no ponto para embarcarem, então segui com os olhos a velha senhora que saiu caminhando com dificuldade embaixo da fina chuva, ela entrara em um bar, que lembrava os cafés parisienses, com seu charme rústico, eu sabia que aquele local ali costumeiramente era freqüentado por garotas e garotos de programa, mas logo meus pensamentos fugiram, pois entrava no ônibus, uma mulher grávida, com muitas sacolas, ela parecia não estar se sentindo bem, nem percebi que o ônibus havia voltado a andar quando vi estava no meu ponto, e tive que me levantar correndo para conseguir descer.
Do ponto de ônibus até o prédio onde moro são pouco mais de dois minutos, já estava muito cansada e com sono chegando para variar quando cheguei à portaria Sérgio o porteiro estava cochilando, usei minha chave para abrir para não atrapalhar seu sono, pois como bem sei trabalhar à noite não é nada fácil, fui ao elevador, que aposto que acordou o Sérgio, pois faz muito barulho, chegando ao sétimo andar fui direto para o apartamento 711, abri a porta, e vi que Eduardo, meu único companheiro, um cachorro vira latas branco que ganhei a 5 anos de um ex namorado chamado Pedro, um negro lindíssimo que terminou comigo dizendo que eu era obcecada pelos estudos, nessa época eu estava terminando a faculdade de gastronomia ...
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